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PRONUNCIAMENTO OFICIAL

Em virtude das últimas denúncias feitas por vários artistas sobre os abusos psicológicos, emocionais e até mesmo físicos cometidos nos ambientes de estudo, preparação e trabalho, o Studio Casa sente-se no dever de se posicionar perante seus seguidores, admiradores e leitores do blog.

Primeiramente: não compactuamos nem toleramos, de forma alguma, qualquer espécie de abuso, especificamente, nesse caso, no ambiente artístico.

No entanto, diante de algumas opiniões recentemente expressadas sobre o assunto – neste caso, a relação entre os abusos e os conceitos do Sistema Stanislavski - o Studio Casa, como uma associação de atores voltada para pesquisa e desenvolvimento desses ensinamentos, se vê na responsabilidade de explicar alguns pontos importantes sobre o que é o Sistema e como ele, de forma alguma, sugere abusos no ensinamento, preparação ou direção de atores.

Constantin Stanislavski

Não há nenhuma relação, por menor que seja, entre os ensinamentos e técnicas iniciados pelo russo – e posteriormente, desenvolvidos por professores como Stella Adler, Lee Strasberg, Sanford Meisner e outros estudiosos – com abusos de qualquer espécie.

A busca da verdade em cena a partir de vivências realistas, de maneira nenhuma, justifica ou faz necessária qualquer espécie de abuso. A evolução dos ensinamentos de Stanislavski oferece uma diversidade enorme de técnicas e ferramentas que passam longe deste tipo de comportamento.

O uso de memórias afetivas, por exemplo - que ocupa o centro das discussões - é apenas uma dessas ferramentas e ela, de maneira alguma, sugere abuso físico ou emocional do ator.

Segundo Lee Strasberg, em seu livro Um Sonho de Paixão – “Muitos críticos objetaram-se ao uso da memória afetiva pelo ator, mas não observaram com que frequência isso ocorre nas outras artes. A memória afetiva é um elemento decisivo em quase toda criação artística. A única diferença é que, nas outras formas de arte, a memória afetiva é criada pelo artista na solidão de seu próprio ambiente. Na arte da representação, o artista precisa criar na presença de uma plateia, num determinado tempo e lugar."

A evolução do Sistema de Stanislavski visa facilitar o alcance da verdade em cena e o ator tem a liberdade de atuar com as ferramentas que mais lhe favorecem. Não há, em toda bibliografia que aborda a evolução do Sistema, sugestão de humilhações ou constrangimentos para que se alcance a excelência na performance do ator.

O estudo e desenvolvimento das técnicas em nada se relaciona com a aplicação equivocada por alguns poucos detentores das mesmas sobre seus alunos e atores.

O Sistema busca dar autonomia ao trabalho do ator, justamente para que este reconheça e trabalhe dentro dos seus limites, e não o contrário: depositar sua individualidade emocional e psicológica em preparadores que utilizam de forma desvirtuada as técnicas em benefício de um comportamento imoral, criminoso e abusivo. Nesta situação, não há que se discutir ou questionar os ensinamentos de Stanislavski, mas sim o caráter de quem se apropria dos mesmos.

É indispensável que as pessoas envolvidas nesse debate tenham responsabilidade e informações coerentes antes de fazer correlações equivocadas entre “métodos” agressivos de ensinamento ou preparação de atores que estão há anos luz do que foi proposto por Constantin Stanislavski.

O Studio Casa se solidariza com todos os atores e artistas que foram vítimas de todo e qualquer tipo de abuso mascarado de técnica. Acreditamos profundamente que a coragem de denunciar tem um poder transformador para realizar a tão desejada mudança do meio artístico e para torná-lo um ambiente mais justo e respeitoso para todos.

 
 
 

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